fbpx

Quando se trata de vinho, Portugal é uma grande referencia. O país é considerado o 4ª maior produtor de vinho da Europa e o 8ª maior do mundo. E já que estamos falando mais sobre Portugal, é impossível não falar dos vinhos portugueses.

A exportação dos vinhos portugueses começou durante o Império Romano. Mas, em 1703, Portugal e a Grã Bretanha assinaram o tratado dos Panos e Vinhos para desenvolver as exportações e o comércio para o Reino Unido.

A UNESCO declarou que duas regiões produtoras de vinhos portugueses são um patrimônio mundial: a Região Vinhateira do Alto Douro, onde se produz o conhecido vinho do Porto, e a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico.

Para entender mais sobre os vinhos portugueses, preciso explicar também, que existem uma denominação de origem. Isso é, os vinhos que são de uma determinada região ou vinhos cujas características se devem essencialmente por causa do meio geográfico em que foram produzidos.

Existe até uma lei para garantir mesmo que o processo de produção dos vinhos portugueses seja rigorosamente controlado, e isso é feito pelas Comissões Vitivinícolas Regionais. Conferem desde a vinha até ao consumidor, cumprindo a seleção de castas autorizadas, os métodos de vinificação, garantindo a genuinidade dentro das suas regiões demarcadas.

As denominações de origem são:

DOC Denominação de Origem Controlada: Esses são os vinhos portugueses de qualidade produzidos em regiões geograficamente limitadas, que cumprem um conjunto de regras. Entre elas, as características dos solos, castas autorizadas, práticas de vinificação, teor alcoólico, tempo de estágio, etc. Todas as mais antigas regiões produtoras portuguesas usufruem deste estatuto.

Agora toda vez que ver no rótulo de um vinho a sigla DOC, saberá o motivo.

IPR Indicação de Proveniência Regulamentada: São os vinhos de características particulares que terá ainda de cumprir, em até 5 anos, todas as regras estabelecidas para poder passar à classificação de DOC.

Vinho de Mesa: São os vinhos que não se enquadram como DOC ou IPR, seja pela combinação de castas, vinificação ou outras características, são considerados vinhos de mesa.

Vinho Regional: São os vinhos de mesa com indicação da região de origem. São vinhos produzidos em regiões específicas portuguesas, elaborados com um mínimo de 85% de uvas provenientes da mesma região.

Principais Regiões dos Vinhos Portugueses

Douro

O Douro é a mais antiga Região Demarcada do mundo, conhecida pela notável qualidade dos seus vinhos e pelo famoso Vinho do Porto.

A maioria das plantações é feita em socalcos, que é uma técnica agrícola de conservação do solo empregada em terrenos muito inclinados, permitindo o seu cultivo e o controle da erosão hídrica. Essa plantação está ao longo do rio Douro e seus afluentes.

Os solos são essencialmente de xisto, embora em algumas zonas, também são de granito. Estes solos são benéficos para a duração das vinhas e produzem uvas mais concentrados em açúcar e cor. Entre as diversas castas cultivadas destacam-se a Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Barroca, Tinto Cão e Tinta Roriz.

Alentejo

O Alentejo é uma região quente e seca do sul, é dominada por extensas planícies de solos pobres. As muitas horas de sol e as temperaturas muito elevadas no verão permitem a maturação perfeita das uvas.

Nos vinhos alentejanos pontuam as castas Trincadeira, Aragonez, Castelão e Alicante Bouschet, resultando em tintos encorpados, ricos em taninos e aromas a frutos silvestres. As castas brancas são a Roupeiro, a Antão Vaz e a Arinto, resultando em vinhos brancos geralmente suaves, com aromas a frutos tropicais.

A região está subdividida em oito sub-regiões nas quais se produzem vinhos DOC: Reguengos, Borba, Redondo, Vidigueira, Évora, Granja-Amareleja, Portalegre e Moura.

Apresenta também uma elevada produção de Vinho Regional, que permite a inclusão de outras castas, como Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah ou Chardonnay.

Setúbal

A península de Setúbal, que usufrui de um clima misto sub-tropical e mediterrânico, influenciado pela proximidade do mar e dos rios Tejo e Sado, e da Serra da Arrábida tem uma tradição vinícola que remonta ao intenso comércio romano da região.

É conhecida pelos vinhos generosos Moscatel de Setúbal, produzidos de castas moscatel, por vinhos tintos de cor intensa e aroma cheio onde se destaca a casta Periquita e por vinhos brancos elegantes, elaborados com predominância da casta Fernão Pires, que exibem um aroma frutado. A região, que reúne as DOC Setúbal e Palmela, foi demarcada em 1907/1908.

Dão

A região do Dão situa-se na Beira Alta, no Centro-Norte de Portugal, protegida dos ventos pelas serras do Caramulo, Montemuro, Buçaco e Estrela. As vinhas situam-se entre os 400 e os 700 metros de altitude, em planaltos de solos de xisto e granitos e com pouca profundidade, onde abundam os pinhais, produzindo vinhos encorpados com elevada capacidade de envelhecimento em garrafa.

O clima em Dão apresenta extremos, com invernos frios e chuvosos e verões quentes e secos. Inicialmente a vinha foi desenvolvida pelo clero, especialmente pelos monges de Cister.

O Dão apresenta uma grande diversidade de castas, entre as quais as tintas Touriga Nacional, Alfrocheiro, Jaen e Tinta Roriz e as brancas Encruzado, Bical, Cercial, Malvasia Fina e Verdelho.

Madeira

O arquipélago é de origem vulcânica e clima subtropical de temperaturas amenas, com baixas amplitudes térmicas e humidade atmosférica elevada. Embora não pareça o clima ideal para a vinicultura, a adaptação de castas mediterrânicas e a posição estratégica no Atlântico contribuíram para criar aqui um dos mais famosos vinhos do mundo.

A produção de vinho na Madeira remonta à época do descobrimento da ilha, em 1419. As primeiras castas como a Malvasia chegaram à ilha por ordem do Infante D. Henrique, importadas de Cândia, capital de Creta. Mais tarde foram introduzidas outras como a Tinta Negra Mole, a Sercial, a Boal e a Verdelho.

A Denominação de Origem Madeira é constituída por cerca de 450 hectares de vinha, de castas tintas e brancas, plantadas nas encostas de origem vulcânica. A casta Tinta Mole é a mais plantada, contudo também existem castas mais raras como Sercial, Boal, Malvasia e Verdelho que conferem quatro níveis de doçura ao vinho doce, meio doce, meio seco e seco.

Minho

O Minho é onde são produzidos vinhos de acidez e frescura características das denominações de origem Vinho Verde DOC e Vinho Regional Minho.

O Minho é uma região de solos de granito, rica em recursos hídricos, com um clima ameno e húmido de influência atlântica. A vinha é cultivada em socalcos, com vestígios de uma das mais antigas formas de condução da vinha: a “vinha de enforcado” ou “uveira”, em que as videiras são plantadas junto a uma árvore e crescem apoiadas nos seus ramos. No entanto, a maioria das novas explorações opta por métodos modernos de condução da vinha.

Nesta região destacam-se as castas brancas, sendo as mais reconhecidas e utilizadas as: Alvarinho, Loureiro, Trajadura, Avesso.

Bairrada

A Bairrada tem um clima suave, temperado pela proximidade do oceano Atlântico. Apesar da produção de vinho existir desde o século X, foi no século XIX que se transformou numa região produtora de vinhos de qualidade tintos, brancos e espumantes.

Nesta região de terras planas destacam-se dois tipos de solos que originam vinhos diversificados: os argilosos, cujo barro deu origem ao nome Bairrada, e os solos arenosos. A casta Baga é a variedade tinta dominante na região, originando vinhos carregados de cor e muito ricos em taninos, que lhes dão elevada longevidade. Nas castas brancas, destacam-se as castas Bical e Fernão Pires, originando vinhos brancos delicados e aromáticos.

Valpaços

Os vinhos da região de Valpaços são produzidos com castas regionais selecionadas de qualidade superior. O clima quente na altura da maturação da uva determina a concentração de açucares na mesma e determina um teor alcoólico mais elevado nos vinhos produzidos a partir dessa uva.

Os vinho de região de Valpaços têm algumas semelhanças aos vinhos do Alentejo devido ao clima quente. Distinguem-se dos vinhos da Região Demarcada do Douro por não realizar a seleção de uvas para fazer os vinhos generosos.

O vinho de casta Trincadeira ou Tinta Amarela é um vinho que se apresenta límpido, com aroma abaunilhado à mistura com madeira, com sabor aveludado e evoluído.

Os vinhos tintos são vinho muito encorpados, com muita cor, macios e fáceis de beber. Os vinhos brancos são vinhos que possuem uma acidez correta, que são frescos, leves e com aroma floral.

Bucelas

Bucelas produz um dos vinhos brancos mais históricos de Portugal e é uma Denominação de Origem Controlada (DOC).

As vinhas instalam-se em caeiras, no vale do rio Trancão, em solos derivados de margas e calcários duros. Com um clima bastante frio no inverno e temperado no verão, a casta dominante é a Arinto, Sercial e Rabo de Ovelha.

Os vinhos brancos de Bucelas são secos, leves e quando envelhecidos ganham tom dourado e aromas complexos. Produzem-se também espumantes com aromas frutados, de excelente qualidade.

Colares

Pequena região vinícola em redor da vila de Colares, entre a Serra de Sintra e o Atlântico. É conhecida pelos vinhos tintos encorpados, de cor densa e ricos taninos, nascidos junto ao mar, entre dunas de areia e paliçadas de cana.

As suas características únicas são, principalmente, o fato da vinha ser plantada diretamente na areia. Os solos arenosos conseguiram manter afastada a filoxera, por isso certas vinhas de Colares, não enxertadas, estão entre as mais antigas de Portugal. A casta tinta tradicional da região é a Ramisco, com representação mínima de 80% nos vinhos DOC da região, assim como a Malvasia, nas castas brancas.

O que são taninos do vinho?

Mas afinal, o que é o tanino que tanto se vê falar quando lemos sobre vinhos? É um composto químico presente no vinho que pode interferir no sabor e na longevidade da bebida.

O tanino é um conjunto de componentes químicos naturais complexos e diversificado. Nas uvas, os taninos estão presentes no caule dos cachos, nas cascas e nas sementes. O tanino interage com as proteínas naturais da nossa saliva, alterando a sua composição e textura, criando uma sensação de adstringência na boca.

Agora que já entendemos um pouco mais sobre os vinhos portugueses, as compras de vinho no mercado nunca mais serão as mesmas, concordam?

Tem alguma dúvida sobre os vinhos portugueses ou alguma sugestão pra acrescentar? Deixe seu comentário aqui abaixo e siga a nossa página lá no Facebook e no Instagram!

Até a próxima! 😉

0

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Para usar avatar, cadastre-se com seu email em gravatar.com

Assine nossa newsletter!

Nunca mais perca um post e fique por dentro de todas as novidades do blog.

Atualmente em:

Lisboa - Portugal
siga @tasaver.pt